quinta-feira, 4 de abril de 2013

Emílio Santiago

Alguém Como Tu

Emílio Santiago

O jornalista Xexéo definiu, com muita propriedade, a morte de Emílio Santiago. Em seu texto, disse que “a música brasileira ficou menos elegante.” E ficou mesmo. Emílio era gentil no trato pessoal, um profissional sério e o melhor intérprete de sua geração. Tornou-se uma referência para os cantores da noite e ter a “voz parecida com a do Emílio Santiago” era um elogio. Todos forçavam os graves para timbrar como os dele, claros e afinados. Sua voz potente e aveludada tinha o destaque de seu perfeito groove (também conhecido como suingue, balanço, divisão, ritmo...), interpretação sem exageros e boa extensão. Ele possuía todas as ferramentas para tornar-se um grande intérprete. E tornou-se.

Meu marido, Tranka, e o então crooner Emílio trabalharam juntos na extinta boate 706, no Leblon (Rio de Janeiro), no início da década de 70. Nos anos 80, já consagrado, Emílio o convidou para tocar sax e flauta em uma temporada de shows. O tempo de convivência fez nascer um carinho mútuo que sempre se manifestava quando se encontravam. Um carinho extensivo a todos que compartilhavam o palco com ele. Creio que todos os músicos devem estar sentindo profundamente a perda de um artista tão cordial, amigo e correto. Um ser humano elegante.
Ouça: Emílio Santiago - Alguém Como Tu




Trecho histórico (primeira parte) do programa Flávio Cavalcanti, exibido pela TV Rio, em 1973, nas noites de domingo. O vídeo mostra um quadro do programa que se chamava Isso Deu Samba? no qual se apresentavam dois compositores que recebiam o desafio de compor, em poucos minutos, um samba sobre um tema que lhes era apresentado na hora. Aqui temos a participação de dois monstros da música brasileira: Adelino Moreira e Lupcínio Rodrigues. Nesta gravação histórica, Emílio Santiago ainda não era famoso e aparece interpretando o samba de Lupcínio.