sábado, 18 de março de 2017

Guilherme Arantes

Brincar de Viver

     Guilherme Arantes está comemorando 40 anos de uma bem-sucedida carreira: seu primeiro grande sucesso foi Meu Mundo e Nada Mais, tema do protagonista Rodrigo (José Wilker) na versão original da novela Anjo Mau (Globo, 1976). Guilherme sempre foi um compositor criativo e talentoso e nos brindou com pérolas como a alto astral Deixa Chover e a incrível Aprendendo a Jogar, interpretada magistralmente por Elis Regina em uma das que considero melhores gravações de música brasileira de todos os tempos. Mas a minha preferida, no entanto, é outra, uma de suas poucas parceiras e com a qual tenho uma pequena história: Brincar de Viver (John Lucien – Guilherme Arantes).
      Em uma noite de junho de 1983, fui a uma daquelas festas de aniversário de crianças feitas mais para adultos: vários pais e amigos na espaçosa sala do apartamento enquanto a pequena aniversariante, eu, seus irmãos e amiguinhos ficamos no quarto, brincando - mesmo com dezoito anos, eu ainda adorava ficar no meio da criançada. A TV estava ligada na Globo e, naquela noite, estreava o musical Plunct, Plact, Zum. Na realidade, ninguém estava assistindo a nada no meio de tantos jogos, pulos em cima da cama, gritaria... Porém, em um determinado momento, ouvi uma linda melodia e, como estava de costas para a televisão, me virei e vi Maria Bethânia, toda de branco e parecendo um anjo, cantando com um belo coro de crianças e eu, ali, também cercada de crianças por todos os lados. Elas não estavam cantando, é verdade, mas deixavam a alegria exalar pelo ar. Eu havia perdido meu pai há pouco tempo, atravessava uma difícil fase emocional e aquilo aqueceu meu coração. No meio de tanta algazarra, o mundo parecia ter parado, por alguns minutos, somente para eu ouvir que “a história não tem fim / Continua sempre que você responde sim / À sua imaginação / A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não / E eu desejo amar todos que eu cruzar pelo meu caminho / Como sou feliz, eu quero ver feliz / Quem andar comigo, vem.”
       Parabéns, Guilherme, e muito obrigada!


     Este é o vídeo de que falei acima. Comparando com os de hoje em dia, parece tosco, mas era o que de mais moderno tínhamos em 1983. Nada disto compromete, porém, a beleza da música e da letra, totalmente atemporais.