Depois de uma vida inteira dedicada à música, decidi criar um blog com o intuito de dividir um pouco a minha experiência com todos os amantes desta arte divina. Espero que possamos discutir vários assuntos com debates interessantes. Só não garanto postagens freqüentes, pois o tempo anda escasso... Um grande abraço!
Quero agradecer muito, mas muito mesmo, a todos aqueles que prestigiaram o nosso evento em homenagem ao centenário de meu pai, o pianista e compositor Waldir Calmon, e nos ajudaram a lotar o Cariocando!!! Só estou fazendo esta postagem agora porque tirei uns dias para descansar logo após o show - eu estava esgotada física e emocionalmente. Vocês não têm ideia de como mexeu comigo ficar debruçada, durante meses, na carreira de meu pai, esmiuçando cada detalhe, pesquisando, colhendo imagens, fatos... e pensando nele a cada segundo. Eu precisava desligar um pouco disto tudo. Mas agora já estou de volta e com esta pequena compilação de vídeos só para dar uma ideia do que foi! Para ver o álbum de fotos, visite o site www.waldircalmon.com/centenario.htm! Um grande abraço e, mais uma vez, obrigada!
No jornal Correio da Manhã, de 30
de setembro de 1956, Claribalte Passos faz a crítica do LP Feito para Dançar 5, em sua coluna Discoteca. Depois do título Um
Solista de Categoria Internacional, segue-se o texto: “Constitui objeto de
nossa análise musical, técnica e artística, o disco long-play em etiqueta Rádio
(selo vermelho), de 12 polegadas, n° 0043GV, instrumental em 33 1/3 rpm,
prensagem de Rádio, Serviços, Propaganda
Ltda., de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, lançamento de 1956.
Trata-se de Feito para Dançar n°5,
criações do pianista Waldir Calmon e seu conjunto. Na face A, encontramos uma
bela coletânea reunida em pot-pourrit.
A saber: Último Desejo, samba de Noel
Rosa; Molambo, samba de Jayme
Florence e Augusto Mesquita; Recuerdo de
Ipacaray, de Demétrio Ortiz e Z de Mirquin; Perfídia, de Alberto Domingues; Love
is a Many Splendored Thing, de Fain e Webster; Lisboa Antiga, de Raul Portela. Não há aqui divisão em faixas. Na
face B aparecem Guacyra, de Heckel
Tavares; Night and Day, de Cole
Porter; Risque, de Ary Barroso; Serra da Mantiqueira, de Ary Kerner; Siboney, de Ernesto Lecuona, e
finalmente Malagueña, do mesmo autor.
Há, no primeiro grupo melódico, uma autêntica mescla de ritmos: samba,
samba-canção, bolero e fox. Em Último
Desejo, piano e solovox dividem as honras do solo principal, seguindo-se Molambo onde tem especial destaque o
solista de piano. Depois, Recuerdo de Ipacaray,
sobressaindo-se a guitarra elétrica (suave acompanhamento do solovox, em fundo)
e piano. Em Perfídia, Waldir Calmon
serve-se, admiravelmente, de expressivos acordes de mão esquerda, bem ao estilo
de Roberto Inglês, com notas graves. Love
is a Many Splendored Thing, dá melhor oportunidade à execução suave do
piano. Finalmente, em variações rítmicas entre o fox e o bolero, termina a face
A, com a página Lisboa Antiga. Waldir
Calmon faz alarde, em todas as faixas, de extremado virtuosismo e uma notável
agilidade digital, principalmente na mão direita. Já nesta altura, temos a
definição do talento do artista, na plenitude de sua forma técnica. O
desempenho do pianista é, realmente, soberbo, vasado como esteve, na
intensidade da expressão e no matiz suave das sonoridades. Premia-o ouvindo ritmo,
a par de inimitável burilamento dos desenhos sonoros. Por outro lado, é digno
de louvores o bom gôsto do repertório e a singeleza conforme é vestida, através
de diferentes arranjos, cada uma destas composições. Na face B, de idêntica
maneira, deparamos com a variedade de ritmo e a utilização oportuna do pianista
de execuções primorosas sob aspectos estilísticos sempre diferentes quer no
plano artístico, quer técnico. Assim, o samba-batucada essencialmente
brasileiro aparece na conhecida e tradicional página Guacyra, iniciando-se a execução com o relevo especial do ritmo,
seguindo-se as intervenções felizes de guitarra, piano e solovox. Depois, com a
melodia Night and Day, temos oportunidade
de aplaudir a transplantação do ritmo de fox para bolero, e vice-versa, além da
bela marcação feita por Waldir, ao piano, valendo-se do estilo de Maurice Ravel.
Também a guitarra aparece eficientemente. Risque,
de Ary Barroso, apresenta o belo dueto de celeste e piano. E, após, Serra da Mantiqueira oferece-nos
brilhante execução de Waldir ao solovox, reafirmando sua grande classe de
solista instrumental. As duas últimas melodias, Siboney e Malagueña,
também, justificam nossos sinceros encômios. Feito para Dançar n° 5 agradará, sem dúvida, os mais exigentes
dançarinos e amantes do gênero. Nossas felicitações à etiqueta Rádio pela eficiência técnica e
artística das doze gravações assim como pelo zêlo com o material de fabricação
do disco isento de chiado. – C.P.”
- foto 1 (acima): capa do LP Feito para Dançar 5
- foto 2: contracapa do LP Feito para Dançar 5
- foto 3: matéria no jornal Correio da Manhã (30-09-1956)
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No vídeo acima, Waldir Calmon interpreta Guacyra, de Heckel Tavares. Esta gravação está no LP Feito para Dançar n°5 (Rádio, 1956).
Foto maravilhosa de Waldir Calmon,
publicada na revista Fon Fon, em 19
de dezembro de 1940. A legenda diz: “Waldyr Calmon é um dos bons pianistas do
broadcasting carioca. Fez, há tempos, uma excellente dupla com Djalma Ferreira,
outro pianista de valor.”
Acima, Waldir Calmon interpreta Adios (Madriguera) que foi gravada no 10 polegadas Mambos (Copacabana, 1955).
Uma raridade este vídeo com imagens da boate Drink! Nele, podemos ver o proprietário da Drink, Djalma Ferreira (órgão), tocando com seu
conjunto Milionários do Ritmo: Ed
Lincoln (piano), Waltel Blanco (baixo), Hugo (bateria) e Miltinho (voz). A
música é o sambalanço, de grande sucesso, Lamento
(Djalma - Luiz Antônio).
Djalma Ferreira, tal qual Waldir Calmon,
foi o proprietário de uma das boates mais importantes da vida noturna carioca
nos anos 50 e começo dos 60 e um dos músicos
de maior destaque, no período, no Brasil. A trajetória de ambos é semelhante,
pois tiveram seu próprio selo, sua própria produtora, suas próprias boates,
gravaram e venderam muitos discos e ajudaram a popularizar o solovox e o órgão
Hammond no país. Em 1963, Djalma vendeu a boate para a família de Cauby Peixoto e mudou-se, definitivamente, para os EUA. No show-baile do próximo dia 3 agosto (sábado),
Djalma e seus Milionários do Ritmo
também serão homenageados!
SERVIÇO: - local: Cariocando Bar - endereço: rua Silveira Martins, 139, Catete, RJ (ao lado da estação do metrô Catete) - data: 03 de agosto de 2019 - horário: de 18h30 às 22h30 - couvert: R$ 30,00 por pessoa - venda antecipada e reservas: 21 96937 0294 (Whats App) - estacionamento: ao lado (preço fixo de R$ 15,00) - produção: Marcia Calmon e Tranka
Alguns momentos do pianista e compositor Waldir Calmon em sua cidade natal, a
pequena Rio Novo, MG:
- foto 1 (acima): Waldir, com Marta e seu filho Marcus, em frente à casa onde
nasceu (1979).
- fotos 2 e 3: com amigos. Creio que estes registros são do final dos anos 30
ou, no máximo, começo dos 40.
- foto 4: homenagem a Waldir, nos anos 50. Esta casa pertencia a Tito, seu tio
paterno.
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Abaixo, o vídeo de Ronda (Vanzolini), com Waldir Calmon e seu conjunto. Esta gravação está no LP Feito para Dançar, de 1980 - o último gravado pelo artista. E não esqueçam de que, no dia 3 de agosto, teremos o show-baile Centenário de Waldir Calmon! Mais detalhes em www.waldircalmon.com .
Abaixo, o vídeo em que convido todos vocês para o show-baile em homenagem ao centenário do pianista e compositor Waldir Calmon! Todas as músicas que tocam no vídeo são gravações de meu pai: Malagueña (Ernesto Lecuona), Rock Around the Clock (Freedman - Knight), Tequila (Chuck Rio) e Adios (Enric Madriguera). Até lá!
SERVIÇO:
- local: Cariocando Bar
- endereço: rua Silveira Martins, 139, Catete, RJ (ao lado da estação do metrô Catete)
- data: 03 de agosto de 2019
- horário: de 18h30 às 22h30
- couvert: R$ 30,00 por pessoa
- venda antecipada e reservas: 21 96937 0294 (Whats App)
- estacionamento: ao lado (preço fixo de R$ 15,00)
- produção: Marcia Calmon e Tranka
- foto 1: Caricatura de Mendez, publicada na revista Radiolândia, em 8 de agosto de 1959.
- foto 2: Nota com uma caricatura no jornal Gazeta Esportiva (São Paulo, 1960)
- foto 3 (acima): Caricatura de Lery (1971) com carinhosa dedicatória.
- foto 4: Figurinha do álbum Ídolos do Rádio e da TV, dos anos 50.
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No vídeo acima, a música Rock Around the Clock (Max C. Freedman - Jimmy De Knight), interpretada por Waldir Calmon. Esta faixa fez parte do LP Chá Dançante 3 (Copacabana Discos, 1957) e foi o primeiro samba-rock gravado no Brasil.
A boate
Arpège, no Leme, foi um grande sucesso: havia filas de espera na porta
e Waldir Calmon mandava colocar mesas do lado de fora para que todos pudessem
esperar com conforto. Em seu palco, várias atrações se revezavam, com
artistas como Ary Barroso, João Gilberto e Tom Jobim - além, é claro, da
atração principal: o proprietário e pianista Waldir Calmon! Quem quisesse
curtir uma excelente música para dançar, tinha de ir à Drink ou à Arpège
e, até o começo dos anos 60, foi assim.
- foto 1 (acima): Logo da Arpège
- foto 2: Nota no jornal Diário da Noite (17/10/1956)
- foto 3: matéria no jornal Correio da Manhã (23/12/1956) - foto 4: matéria na Revista do Rádio (1960), falando dos "donos da noite" no Rio de Janeiro. Da esquerda para a direita: Waldir Calmon (pianista e proprietário da boate Arpège); Djalma Ferreira (pianista e proprietário da boate Drink), e Carlos Machado, produtor, criador e diretor de diversos espetáculos musicais em boates, como Casablanca, Monte Carlo, Night and Day e Fred's. No começo dos anos 60, Djalma Ferreira mudou-se para os EUA e vendeu a boate para Cauby Peixoto e sua família. - foto 5: Anúncio da Arpège na revista Radiolândia (1959).
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Acima, o vídeo de Samba no Arpège (Waldir Calmon - Luiz Bandeira). Esta é a versão cantada, do LP Chá Dançante 3 (Rádio, 1957). A versão instrumental foi gravada no LP Uma Noite no Arpège 2 (Copacabana Discos, 1957).