Depois de uma vida inteira dedicada à música, decidi criar um blog com o intuito de dividir um pouco a minha experiência com todos os amantes desta arte divina. Espero que possamos discutir vários assuntos com debates interessantes. Só não garanto postagens freqüentes, pois o tempo anda escasso... Um grande abraço!
A eterna rainha do rádio, Marlene, completaria
cem anos no dia 22 de novembro de 2022 e é com imensa alegria que compartilho
nossa homenagem a esta artista com quem trabalhamos por muitos anos: um
documentário que fiz, com muito carinho e apoio do maestro Tranka Oliveira, falando
de sua longeva e brilhante carreira como cantora, atriz, apresentadora e
compositora! O vídeo é longo, mas não dá
para falar de Marlene em pouco tempo... Além de contar a sua história, coloquei
fotos, vídeos e, é claro, muitas músicas. No final, ainda interpretamos uma de
suas composições, A grande verdade (Marlene - Luiz Bittencourt!
No próprio documentário, há os nomes
de todos os canais do YouTube onde estão os vídeos citados, caso queiram
assisti-los por inteiro. Um abraço!
- pesquisa, textos e edição: Marcia
Calmon - arranjo e teclados: Tranka Oliveira
No dia 18 de setembro de 2019, o Instituto FUNJOR e a
Prefeitura do Rio, através do IRPH, fizeram a instalação das cinco placas da
segunda fase do projeto Patrimônio Cultural Carioca
- Circuito Rádio. Uma delas foi dedicada ao pianista, compositor e
proprietário da boate Arpège, Waldir Calmon.
A placa foi colocada justamente onde funcionou, de 1955 a 1967, a boate: rua
Gustavo Sampaio, 840-A, Leme, RJ. Os outros agraciados foram o radialista
Manoel Barcellos, a cantora Dalva de Oliveira, o apresentador Paulo Monte e as
irmãs Batista. Quero agradecer também à petshop ZeeNow que hoje ocupa
o imóvel e permitiu afixar a placa na fachada da loja.
Abaixo, algumas fotos da instalação da placa e também um pequeno vídeo de agradecimento, gravado por mim e meu irmão, Marcus:
- foto 1 (acima): Meu irmão e eu
- foto 2: Com a viúva do cantor José Ricardo, dona Hercy Maria Tobias, meu irmão Marcus e o grande Ramalho!
No próximo dia 28 de agosto,
quarta-feira, vou receber a
placa em homenagem a meu pai,
o pianista e compositor
Waldir Calmon! Agradeço a
todos que votaram e, quem
quiser, pode comparecer e
prestigiar o evento!Serão
cinco artistas contemplados:
Manoel Barcellos, Dalva de
Oliveira, Waldir Calmon,
Paulo Monte e as irmãs
Batista.
Comunicado oficial da Funjor:
"No próximo dia 28 de agosto,
quarta-feira, às 16 horas,
no Centro Carioca de
Design (Praça
Tiradentes, 48 - em frente à
estação do VLT), o Instituto
FUNJOR, em parceria com a
Prefeitura do Rio, através
do IRPH - Instituto Rio
Patrimônio da Humanidade,
fazem a entrega das 5 placas
da 2ª fase do projeto
Patrimônio Cultural Carioca
- CIRCUITO RÁDIO.
Haverá apresentações,
homenagens e todos poderão
tirar fotos com as placas
antes de serem colocadas nos
locais das homenagens.. O
Instituto FUNJOR agradece
aos associados que se
somaram nesta ação e os
convida para este dia de
encerramento desta fase do
projeto. Entrada
franca."
Quero agradecer muito, mas muito mesmo, a todos aqueles que prestigiaram o nosso evento em homenagem ao centenário de meu pai, o pianista e compositor Waldir Calmon, e nos ajudaram a lotar o Cariocando!!! Só estou fazendo esta postagem agora porque tirei uns dias para descansar logo após o show - eu estava esgotada física e emocionalmente. Vocês não têm ideia de como mexeu comigo ficar debruçada, durante meses, na carreira de meu pai, esmiuçando cada detalhe, pesquisando, colhendo imagens, fatos... e pensando nele a cada segundo. Eu precisava desligar um pouco disto tudo. Mas agora já estou de volta e com esta pequena compilação de vídeos só para dar uma ideia do que foi! Para ver o álbum de fotos, visite o site www.waldircalmon.com/centenario.htm! Um grande abraço e, mais uma vez, obrigada!
Uma raridade este vídeo com imagens da boate Drink! Nele, podemos ver o proprietário da Drink, Djalma Ferreira (órgão), tocando com seu
conjunto Milionários do Ritmo: Ed
Lincoln (piano), Waltel Blanco (baixo), Hugo (bateria) e Miltinho (voz). A
música é o sambalanço, de grande sucesso, Lamento
(Djalma - Luiz Antônio).
Djalma Ferreira, tal qual Waldir Calmon,
foi o proprietário de uma das boates mais importantes da vida noturna carioca
nos anos 50 e começo dos 60 e um dos músicos
de maior destaque, no período, no Brasil. A trajetória de ambos é semelhante,
pois tiveram seu próprio selo, sua própria produtora, suas próprias boates,
gravaram e venderam muitos discos e ajudaram a popularizar o solovox e o órgão
Hammond no país. Em 1963, Djalma vendeu a boate para a família de Cauby Peixoto e mudou-se, definitivamente, para os EUA. No show-baile do próximo dia 3 agosto (sábado),
Djalma e seus Milionários do Ritmo
também serão homenageados!
SERVIÇO: - local: Cariocando Bar - endereço: rua Silveira Martins, 139, Catete, RJ (ao lado da estação do metrô Catete) - data: 03 de agosto de 2019 - horário: de 18h30 às 22h30 - couvert: R$ 30,00 por pessoa - venda antecipada e reservas: 21 96937 0294 (Whats App) - estacionamento: ao lado (preço fixo de R$ 15,00) - produção: Marcia Calmon e Tranka
Três notas de jornal sobre o sucesso dos vinis de Waldir Calmon:
- foto 1: O jornal Correio
da Manhã (16/08/1953) fala do grande êxito do 78 rpm que tinha Cao Cao
Manipicao (Carbô Menendez), do lado B, e Mambo en España (Ramon
Marques), do lado A. Graças ao enorme sucesso, Waldir Calmon gravou mais dois
78 rpm pela Copacabana Discos e uma das gravações fez parte da trilha da
chanchada É Pra Casar (Luiz de Barros, 1953) - filme do qual Calmon
participou.
- foto 2: O jornal Imprensa Popular
(28/04/1957) fala sobre o sucesso que os LPs de Waldir Calmon, gravados pela
Rádio, estavam alcançando. Em tempo: este selo não lançava 78 rpm,
somente 10 e 12 polegadas.
- foto 3: O jornal Diário da Noite
(24/07/1957) publica um anúncio, convidando para uma tarde de autógrafos no Rei
da Voz (Centro, RJ) e cita a incrível vendagem dos 100.000 discos da
série Feito para Dançar. Waldir Calmon foi o primeiro artista popular
a atingir esta marca no Brasil.
Na foto acima, Waldir Calmon recebendo prêmios e homenagens por conseguir vender 100.000 discos da série Feito para Dançar. Atrás dele, Fernando Lobo, comemorando na boate Arpège (Leme, RJ).
Com Paulo Gracindo, em 1974, durante a temporada do espetáculo Brasileiro Profissão Esperança, no
extinto Canecão (Botafogo, RJ), onde Waldir trabalhou de 1969 a 1977.
Com texto de Paulo
Pontes e baseado na música de Antonio Maria (1921-1964) e Dolores Duran
(1930-1959), Brasileiro Profissão
Esperança foi um dos mais bem-sucedidos musicais produzidos no Brasil:
estreou em 12 de setembro de 1974, no Canecão, e permaneceu oito meses em
cartaz com casa lotada e batendo recordes de público. Esta montagem, dirigida
por Bibi Ferreira e estrelada por Clara Nunes e Paulo Gracindo, também foi um
grande sucesso de crítica. Mário Lago, por exemplo, se emocionou tanto com o
show que chegou a passar mal e disse ser "o mais inteligente e maravilhoso
espetáculo que Paulo Pontes já montou e talvez um dos melhores montados neste
país”. Segundo Chico Buarque, foi “um trabalho inteligentíssimo de Paulo
Pontes. Não é preciso dizer nada: é maravilhoso.”
Na foto abaixo, capa do LP gravado ao vivo.
No vídeo acima, o disco do espetáculo Brasileiro, Profissão Esperança, com Clara Nunes e Paulo Gracindo.
Dia 30 de janeiro de 2019, meu pai, o
pianista e compositor Waldir Calmon, faria 100 anos! Inúmeras lembranças me vêm
à cabeça, do pai e do artista, e se embaralham, num misto de saudade e orgulho.
Fui agraciada com um pai dedicado, amoroso e extremamente cuidadoso – seus excessos,
por vezes, me irritavam, embora lá, bem no fundo, eu sempre soubesse que era
amor. Suas idiossincrasias me confundiam, pois o homem que me ensinou as
primeiras notas na pauta era o mesmo que fez de tudo para eu não ingressar na
carreira artística e que também ficava todo bobo quando me via pegar algum
instrumento e sair tocando. Creio que ele se identificava muito comigo quando
via minha ânsia por saber, a curiosidade imensa que eu carregava dentro de mim
e a minha paixão por desenhar e tocar. Eu sabia que poderia contar com ele para
qualquer coisa e ele sabia que a recíproca era verdadeira. Infelizmente, não
pude fazer nada para impedir o seu infarto, mas posso, ao menos, lutar para que
o trabalho que ele fez, com grande amor, não morra também.
Para quem não conhece a extensão da obra de
meu pai, fiz um site (www.waldircalmon.com) e uma
página no Facebook (Centenário de Waldir Calmon), postando fatos e
curiosidades da vida do artista e todas as homenagens que acontecerão no
decorrer deste ano.
Tentando resumir o seu legado, além de pianista e
compositor, Waldir Calmon gravou cerca de
130 títulos - entre LPs, compactos, regravações etc -, mas foi com a série Feito para
Dançar que ele atingiu a impressionante marca, para a época, de 100.000
exemplares vendidos em 1957. Ele também gravou, com a cantora Ângela Maria, o
antológico Quando os Astros Se Encontram
(Copacabana Discos, 1958) que tem, por sugestão de Waldir, a gravação original
de Babalu (Margarita Lecuona) e talvez
o maior sucesso de nossa querida sapoti.
A sua contribuição para o
então incipiente mercado fonográfico brasileiro foi imensa:
- Primeiro artista a gravar um long-play de dez polegadas na
América do Sul com o vinil Ritmos
Melódicos (Rádio, 1952).
- Primeiro artista popular a lançar um disco de 12
polegadas no Brasil com a série Feito
para Dançar.
- Gravou, também pela Rádio, o primeiro disco estéreo
genuinamente nacional, conforme matéria do jornal JB - coluna Discos Populares, de Mauricio Quádrio,
em 29/11/1958.
- Primeiro artista a conseguir uma tiragem de 100.000
discos em território nacional com a série Feito
para Dançar. - Criou o disco para dança, sem intervalos entre as faixas,
reproduzindo o som das boates da época e ideal para festas em casas de família.
Nos anos 1940, Waldir Calmon
lançou o solovox: um pequeno
sintetizador de três oitavas, monofônico e importado que era acoplado ao piano
acústico, fazendo um som diferente. O solovox,
fabricado pela Hammond Organ Co norte-americana entre 1940 e 1950, foi o
precursor dos teclados eletrônicos em geral. Waldir
também participou de filmes nacionais, como Hoje
o Galo Sou Eu (Aloísio T. de Carvalho, 1958) e Com A Mão Na Massa (Luiz de Barros, 1958), e ganhou dezenas de prêmios
por seu trabalho.
Em 1955, abriu sua própria casa noturna no
Leme, RJ - a Arpège. O sucesso foi
tanto que outra série de discos, Uma
Noite no Arpège, surgiu. Nomes como Tom Jobim, Chico Buarque, Dóris
Monteiro, João Gilberto e Ary Barroso, entre outros, apresentaram-se em sua
boate. A Arpège entrou para a história da vida noturna carioca e da música
brasileira. Dentre as muitas histórias, Vinícius de Moraes conheceu Baden
Powell durante um show na boate e lá estreou o novato Chico Buarque, fazendo o
show Roda-Viva com o MPB4 e Odete
Lara.
Em homenagem a esta data
tão especial, fiz um set com 41 minutos só de músicas da famosa Feito para Dançar (esta série ainda não
foi disponibilizada para streaming ou venda). Clique aqui para ouvir. Ainda sobre as
gravações de Waldir Calmon, muitos me perguntavam onde poderiam comprar ou baixá-las
e eu, constrangida, não tinha muito o que falar. Agora, para minha alegria e
após vários pedidos, a gravadora finalmente disponibilizou uma parte de sua
obra para streaming e download na internet!!! É muito mais prático e econômico,
pois você pode comprar o disco inteiro ou apenas a faixa individual! Se
preferir, pode colocar as músicas em playlists de sites como Deezer e Spotfy e ouvi-las sempre que desejar! Há dez discos de Waldir
Calmon na GooglePlay: as compilações Grandes Exitos, The Beat of Brasil, Seleção de Ouro – 20 Sucessos, Maringá e O Lounge Brasileiro, e os discos de carreira Samba Alegria do Brasil, Quando os Astros se Encontram, Mambos, Mambos 2 e Ritmos Melódicos 1.
Waldir Calmon também está concorrendo a uma placa pelo projeto Patrimônio Cultural Carioca - Circuito Rádio, oferecido pelo Instituto Funjor e pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Cada voto equivale a uma doação de dez reais e você pode votar quantas vezes quiser: basta fazer o depósito na conta da Funjor e enviar o recibo com o nome do artista votado. Os cinco primeiros artistas mais bem votados ganharão uma placa, falando de sua carreira, e a final será em março (mais detalhes no Facebook). O meu desejo é colocar a placa no lugar onde antes funcionava a boate Arpège, no Leme, RJ. Fiz um vídeo para divulgar a iniciativa que você poderá assistir no final deste post.
Quem quiser conhecer mais a fundo o trabalho
de meu pai e, claro, ouvir muita música, por favor, visite o site www.waldircalmon.com. Ele nos deixou
muito cedo, mas sua obra permanece bem viva!Um abraço!
Participação de Waldir Calmon no filme Hoje, o Galo Sou Eu! (1958) em que o pianista e seu conjunto tocam as músicas Concerto n°1 (Tchaikovsky), Polonaise (Chopin), Samba no Arpége (Waldir Calmon e Luís Bandeira) e, acompanhando a cantora Neusa Maria, Nova Ilusão (José Menezes e Luís Bittencourt). Hoje, o Galo Sou Eu! foi dirigido por Aloísio T. de Carvalho e seu elenco contava com Ronaldo Lupo, Liana Duval, Renata Fronzi, Pituca, Henriqueta Brieba, Procopinho e Luís Gonzaga, entre outros.
Apresentação de Waldir Calmon no programa Os Melhores da Semana (com patrocínio da Mullard Rádio e TV e da Casa Neno S/A), na TV Tupi dos anos 50. O filme original é mudo e por isso foi sonorizado com a gravação, de 1957, da música Samba no Arpége, de Waldir Calmon e Luís Bandeira. Nesta gravação de Samba no Arpége, Waldir toca piano acústico e solovox - que, no vídeo, podemos ver acoplado ao teclado do piano.
Vídeo que fiz para divulgar a participação de meu pai no projeto Patrimônio Cultural Carioca - Circuito Rádio. Os votos são através de doações para o Instituto Funjor que podem ser feitas no Banco Itaú:
- agência: 0706 - conta corrente: 04730-5 (A.A.A.A. Instituto FUNJOR) - CNPJ: 18.741.152/0001-00
Depois, o comprovante deve ser fotografado e enviado, com o nome do artista votado, para funjortv@gmail.com . Desde já, agradeço o seu voto!!!